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Quarta-feira, Abril 12, 2006
ok, um dia eu atualizo...
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 8:52 PM ::
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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006
Ele deixou a porta de sua casa bater, como de costume e saiu.
Caminhando, mãos nos bolsos...
Passou pelos mesmos lugares de sempre, comprimentou as pessoas do lugar da mesma forma que antes. Tomou seu café (o velho vício persiste acima da doença), limpou a boca num guardanapo e saiu pagando com moedas.
Passou pelos mesmos caminhos de sempre e parou no seu lugar cativo de sempre. Sentou e olhou o horizonte naquela tarde quente. Ele sempre odiou o calor e aquele dia estava muito quente mesmo. Tirou a camiseta, mostrando sua tatuagem nas costas para as árvores e pássaros do lugar.
Refletiu.
Pensou sobre o sentido das coisas, de sua vida, da vida daqueles que ele ama. Passou a mão pelos cabelos e deitou sobre o gramado. As nuvens que teimavam em lutar contra o sol estavam fofas, cheias de chuva presa, esperando um bom dia de final de semana para cair. Ele pensou na sua vida, em tudo aquilo que teve naquele dia. Fora um dia curto pois sequer pensou 10 minutos e ele já estava completo.
Aproveitou a sobra de tempo e pensou sobre seu dia anterior:
"Um domingo, oras bolas... que há de se lembrar de um domingo..."
Pensou então em refletir um momento sobre seus últimos dias e semanas. Uma pincelada sobre os fatos mais importantes e nada de muito importante era lembrado. Resolveu pensar sobre si mesmo, sua evolução como homem até aquele momento da história. Pensou...
Deixou de lado essa história de pensar sobre si mesmo e foi pensar no que tinha feito para seus companheiros e companheiras;
E passou a noite toda refletindo. As estrelas bailavam, nuas, sobre sua cabeça. A lua, ciumenta lua, desdenhava-as e impunha seu brilho mágico de lua Cheia. E sequer foram notadas.
E nesse relembrar de fatos ele permaneceu por dias. Alimentado pela lembrança e confortado pela paz ele não notou o passar das horas.
E ali ficou por muito tempo.
Nesse tempo, enquanto refletia, lembrou de pessoas importantes, pessoas um pouco importantes, pessoas nada importantes... Amigos, parentes, colegas, ex-namoradas, "affairs" possíveis, pessoas com rostos digitais... Lembrou do que fizera para elas, de seu carinho, de quais palavras de conforto foram usadas enquanto ajudava-as, lembrou dos beijos e abraços, das festas e farras, dos momentos felizes e tristes junto delas. Lembrou do que ele fez nessas pessoas e lembrou do que essas pessoas fizeram com ele.
Imaginou como seria sua vida diferente disso tudo, sem tanta bondade para com algumas dessas pessoas. Imaginou se a causa de parte de sua dor era uma dessas pessoas, várias delas ou nenhuma delas. Imaginou se tivesse sido diferente, se tudo tivesse sido diferente ele hoje tivesse mais a pensar sobre si do que sobre os outros. Imaginou se tivesse dado o mesmo que recebeu, quem sabe sua dor hoje fosse menor. Quem sabe não seria o abandonado a caminhar sozinho, o trocado a chorar pelos cantos.
Quem sabe...
"quem sabe eu fosse o outro,
que sorrateiramente rouba acena
fecha as cortinas como louco
agarra a "indefesa" mocinha
vai de encontro ao público,
acreditando ser mais um lúdico
fanfarrão deste picadeiro
que se tornou este lar.
Lar doce lar, lar verdadeiro
lar que venha me encontrar
Pois já não lembro teu caminho,
Esquecido no meio deste sofrido
Destino, tão repleto de bondade,
tão cheio de amores e desatinos
sem direção, um disparate
contra a razão e meus sentidos.
Tão seus que sequer são meus,
tão incompreensíveis como os seus
para mim; Seja quem quer que seja:
Seja luz, amigo companheiro e fiel,
Seja parente, sobrenome que carrega,
Seja inimigo, conhecido pelo amargo fel,
Seja amor, alma companheira, 'sempre e tanto,
Que mesmo em face do maior encanto'
Abandona quem mais te quis ser bom."
Quem sabe a vida fosse melhor assim. Ou ao menos, menos dolorida.
É... quem sabe...
Mas no jogo das suposições, esta partida está completa e não permite retorno. Infelizmente.
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 4:14 AM ::
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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006
O poeta acordou.
Ao levantar ele caiu... sua perna ainda estava dormindo.
foi ao banheiro e mijou fora da privada, espirrando em sua meia nova. Não tomou café porquê têm gastrite, só toma leite. Justo hoje que ele queria um café.
Pão de ontem, sol da manhã, leite frio.
Um conjunto de coisas ruins acontecendo, um presságio que aquele dia seria um dia muito ruim. E ainda eram 8 da manhã...
Voltou pra cama e dormiu.
Sonhou.
Seu sonho remeteu-o a um lugar escuro, repleto de pessoas estranhas que carregavam junto ao peito marcas que só eram distinguidas muito de perto.
Ele estava nú neste lugar. Sentia sua nudez, sentia vergonha. E um destes aproximou-se dele e perguntou:
"- que fazes nu, neste vago negrume,
espera alguém familiar?
um amigo, um amor, um parente,
um ombro amigo pra chorar?
queres deitar na relva negra,
esperar que alguém te erga
questionando esta marca no peito,
que te embaraça mais que sua palidez?
Quizera este fogo ao lado direito
te desse menos pranto e mais robustez
pois assim, quiçá, o embaraço seja morto,
e comparta, aqui nessa vala, conosco
as sutilezas de sua alma apraz,
os prazeres que não foram platônicos,
os gozos que esta vida lhe traz,
infinitos, verdadeiros, irônicos,
historias de sua vida mal-acabada,
os fardos desta dura caminhada
que te pesam feito pedra pesada."
Ele então reclamou de sua vida. Do acordar que teve recentemente, de início, mas lembrou-se de mais:
" quisera eu ter pouco a falar,
reclamar uma palavra ou duas.
Quisera eu ter pouco a chorar,
as lágrimas secas de palavras duras
ou a dor do passado cortante
que fura a pele, constante
pois já não sei mais tirar
de mim este fardo, afinal.
Parece que minha sina é chorar,
a bondade translúcida, cristal,
desviada pela água turva
encontra caminho na curva
da bondade e sai pelo ladrão,
espalha no ar meias verdades,
empurra-me ao muro, safanão,
socos e chutes e tabefes,
vai como "prima victoria"
ornada do louro da glória
pisando na minha eterna bondade."
Entre versos e prosas ele reclamou da vida.
Reclamou das dores sofridas, dos amores desfeitos. Das antigas, das novas, das futuras. Desconhecidas, conhecidas, bonitas, feias, "aceitáveis". Reclamou do dinheiro, do medo, do calor, do frio, do vento, da chuva, do ar, do mar, do sol.
Ele reclamou:
Reclamou como odiava acordar à luz do sol, reclamou do leite gelado, da azia, da gastrite, das lanchonetes Fast-Food, das escolhas, das oportunidades que teve, das que não teve, das que ele poderia ter tido. Reclamou da família, dos parentes, dos amigos dos parentes, dos inimigos dos parentes, dos desconhecidos, dos conhecidos, novos velhos vivos e mortos. Reclamou do verão, quente e úmido feito uma prostituta barata, do outono sêco e frio como uma namorada muda e desacreditada. Reclamou da primavera, florida, colorida e cheia de nhénhénhés como um gay hiper-sensivel cheio de não-me-toques em meio à passeata gay da paulista ( Só não reclamou do inverno pois gostava do inverno ). Reclamou do trabalho, do salário, do pouco salário, do salário-algum. Reclamou dos gerentes de seu trabalho, dos gerentes de seus gerentes, dos superiores deles e degrau a degrau acima deles. Reclamou dos pandas que não transam para salvar a espécie, dos lacto-vegetarianos que não comem galinhas e seus ovos, dos vegetarianos que não comem carne, dos hiper-bucólicos-nuti-centeio-fruto vegetarianos que não comem porra nenhuma. Reclamou do dólar (que não entra em sua carteira), do euro (que nem sabe que ele existe), do real (que teima em ir embora, desgraçado!) e do yen que não presta nem pra limpar a bunda. Reclamou do mestre Yoda que não fala certo, do Lula que não fala certo, do cebolinha que não fala certo (celto) e de tudo mais que pôde imaginar. Reclamou do sol e da lua, das estrelas que teimam em ficar lá em cima e não o visitam, do céu, azul bebê. Reclamou de deus, do diabo, de jesus e dos 365 santos e mais todos os outros deuses, santos, pai, entidades, superiores ou similares de todas as religiões por não darem as caras e mostrarem sua existência de fato. Assim como os alienígenas.
E ele reclamou mais... por mais de dias.
E enquanto ele reclamava, o fogo tatuado em seu peito ganhava um pouco de força. E ele, mesmo assim, reclamou tudo que pôde. E o que não pôde.
Ao final de sua reclamação completa, o fogo assimilava-se a uma supernova incandescente, pronta para esplodir. Ele viu aquilo pelos olhos dos que ouviam suas reclamações, sentados, completamente calados e perplexos.
Como não havia mais nada para desabafar, ele sentou-se à relva. Baixou a cabeça e começou a meditar, provavelmente para acalmar o fogo que o ardia por dentro.
Nesta hora, ele ouviu um estalo. De olhos fechados ele mentalizou naquele som. Um som claro, límpido, sem obstução. Um estalar de dois objetos, separados por uma força motora contária que deixa escabar um pouquinho de ar, entre as frestas. Este ar culmina em uma colisão com o ar parado do ambiente, gera uma onda sonora... Os objetos, separados, relaxam-se, mostrando a voluptuosa formação vermelha e quente, uma projeção de carne que salta à face, geralmente de cor avermelhada, rosada ou levemente enegrecida.
Um simples, bem simples beijo no rosto.
Os segundos correram como luz, os minutos acompanharam... Horas eram rápidas como o tintilar de uma piscadela, feito asa de beija-flor. E tudo terminou num momento.
...
Ele acordou. Como que transgredindo de uma dimensão à outra ele sentia ainda o calor, a umidade e o frescor daquele beijo no rosto. Inspirou fundo, levou a mão ao peito, expirou fundo...
É impressionante.... Por mais que tudo esteja ruim, uma simples coisa muda o fogo do ódio em águas calmas de tranquilidade.
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 6:30 AM ::
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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006
Certa vez ele fez uma poesia para alguém, não sabendo que seria o início de seu fim.
Deixou de ser o que um dia fora a essência de um cara feliz. Deixou as letras serem maiores que ele mesmo. E assim ele se tornou um escravo da bondade.
Feito um escravo das palavras, ele enalteceu seu amor com palavras e muito afeto, muito carinho, muito disso e muito daquilo. Como um louco ele dizia, face à face, aquilo que sentia, dia após dia, minuto à minuto.
E ela sorria.
Ele escrevia coisas lindas, canções, poemas, poesias, épicos que traziam ela como musa e ele como humilde servo do amor.
E ela sorria.
Então ele escrevia mais.
Passava noites a fio escrevendo sobre o amor, tentando encontrar nas palavras aquilo que seu coração transbordava em sentimento. Falava que o amor era infinito, que ela era musa, sereia, estrela, anjo, docinho, deusa, razão... Ele chorava ao escrever, tamanho sentimento estava ali, saindo pelos dedos.
E ela sorria.
E ele continuava. Entregava cartas puras, com cheiro de perfume, com flores, com bombons, com botões de rosas, pétalas, cartões gigantes, cartas feitas à mão, pinturas, fotos, imagens feitas em computador, pintura à dedo... enfim, tudo que seu corpo fosse capaz de fazer.
E ela sorria.
Daí um dia ele deixou uma poesia por fazer. Uma só.
Ela era basicamente assim:
"amor meu, que tanto enaltecí
deixai de sorrir assim
pois já que sangrei por tí,
já que me amas, por fim,
deixai de sorrir e diga, finalmente
que me ama como te amo, loucamente
Amor, que amar eu amo tanto
deixai de sorrir e diga,
que escondes neste sorrizo casto,
que palavra tão escondida
há nestes tão lindos lábios
e que meus ouvidos sejam válidos
para ouvir......."
Ela descobriu a poesia, escondida em um caderno, um dos muitos que traziam dentro pensamentos muito escuros, escuros demais para serem ouvidos. Ela leu calmamente a poesia incompleta, com atenção.. Uma, duas, três vezes.
Ele então tomou coragem e perguntou:
"- Por quê apenas sorrí quando te escrevo? Por quê jamais me dá uma palavra de carinho, uma explosão de amor ou uma lágrima, um abraço apertado ou um cafuné quando lê o que sinto por tí, minha linda?"
E ela deixou de sorrir e disse:
"O que quer é que deixe de sorrir,
de sorrir deixarei, por fim, então.
o que pedes é o fim de nosso amor
pois sorrir é o que faço para tí,
já que sorrir por tí não é um fardo,
sois tão tolo, tão parvo
que não notas o palmo diante à face.
Sorrio porquê não te amo mais.
Sorrio por vê-lo chorar assim,
amar amando alguém que querer não mais
te quer como amor amado...enfim...
vai-te que é tardia tua hora, parvo."
e ele chorou.
Chorou não por ter iniciado a poesia fatídica, mas por tê-la deixado de teminar, pois seu término era esse:
"e que meus ouvidos sejam válidos
para ouvir que sorrí porque me quer,
que vê em mim teu afeto,
todo amor que possa querer
neste mundo, nada mais peço
que seja amor que sentes por mim,
pois igualmente amar, te amo, enfim.
e morto estaria eu, sem tí."
Ela jamais soube do fim desta poesia.
E ele jamais deixou de escrever poesias a alguém que fizesse seu coração bater mais rápido.
Porém ele aprendeu, e sempre que iniciou uma poesia, ele a concluiu.
As palavras são frágeis demais para serem deixadas sem destino. Quem as encontra, perdidas, no meio do caminho, podem não compreender. As palavras transformam facilmente o amor em dor.
E a ferida nunca seca com poesias. Nunca.
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 5:43 AM ::
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Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
as luzes se apagam...
o teatro termina.
A vida se mostra crua como ela é,
sem rodeios, sem delongas, sem receio,
sem vergonha.
as palavras assumem sentido de nada,
os medos tomam conta da alma trazendo
os fatos indesejados.
O coração lateja.
As pálpebras se fecham diante da verdade sem explicação,
o medo assume o lugar da razão,
a vida rodopia, sem direção,
neste breve momento em que tudo se perde
e os lugares passam a ser desconhecidos,
os olhares passam a conter malícia,
os amigos mudam de status,
alcançam as estrelas,
e derrubam o céu sobre meus ombros.
E com a insensatez absurda, eu choro,
diante de imagens, de objetos, de saudades,
eu sinto o peso do mundo sobre mim,
meu mundo, caído, cálido, cruel,
ciumento,
com medo de perder o que já não se tem mais.
E as cortinas se abrem.
Mostrando os atores nús
sua pele à mostra, sua libido,
a face rubra, os medos à mostra
ao julgamento alheio, ao desdém.
ao esquecimento.
E a música se inicia:
Mostrando que o ponto passou,
o retorno se foi, as esperanças minguam,
o fantasma chora sozinho, mais uma vez.
Conhece a peça, conhece o final,
com atores de nova linhagem
a dor das outras apresentações se repetem,
iguais, idênticas, idênticas.
E o fantasma chora,
a repetição é doída, o monólogo se repete,
as máscaras são iguais e tão diferentes!
os medos são tão semelhantes,
que tudo parece ser igual, de repente.
Como se tudo fosse escrito, um roteiro.
onde o fim jamais chega e sempre chega,
levando amores e trazendo amores,
levando dores e trazendo dores,
levando imagens e trazendo imagens,
deixando um rastro de sangue,
um rastro de lágrimas
que se estende de tí aos meus pés,
numa linha, antes reta, hoje tão torta
que se perde o caminho,
faz uma interrogação
termina num "não"
e deixa no vazio
um sentimento tão puro,
e acaba.
Sem me deixar escrever,
uma última vez o que repetí sempre,
que te amo.
que te .......
que ...........
........
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 9:59 PM ::
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Sábado, Dezembro 10, 2005
Esse é o ponto
onde o retorno se vai,
deixando para trás as certezas,
cerrando os sorrisos d'antes tão graciosos
hoje tão lamuriosos
que dão pena ao se ver,
lágrimas teimam cair
o sorrizo teima em sumir
quando lembro de tí.
Esse é o ponto
onde o retorno se vai,
onde o fim surge
diante dos olhos já cansados
de tanto chorar, de tanta dor.
Surge com incertesas,
surge com uma bolsa cheia de medos,
com novas dores e novos caminhos,
tortuosos e sem brilho, sem você no fim.
Esse é o ponto
onde o retorno se vai,
deixando apenas o medo
de perder teu amor já tão perdido,
de perder para sempre seus abraços
que de tão apertados colocam no lugar
tudo que está fora do correto
tudo que está perdido,
incerto e desdenhoso
dentro de mim.
Esse é o ponto
onde o retorno se vai,
onde você diz adeus
e com um aceno simples,
uma mão erguida num sinal de Adeus,
uma lágrima que cai eterna dentro de mim,
na lembrança do adeus dolorido,
no meio,
eu fico sentado, esperando
que o pesadelo acabe
que a dor encerre
que o teatro termine e as cortinas se fechem,
e detrás dela nosso beijo se consuma,
terno e apaixonado como antes,
quente e forte como hoje,
desejado, sonhado no amanhã,
neste amanhã que nunca chega,
nete teatro que não acaba,
nestas cortinas que nunca fecham,
e esse show que não encerra
com um final feliz
os sonhos deste fantasma sem ópera,
mascarado como amigo,
por dentro um amante,
entregando-te a rosa e uma carta:
na rosa o desejo,
na carta o sonho,
na mente a esperança
nos lábios um beijo
que jamais será roubado,
deseja ser entregue
antes que passe o ponto
que não permite retorno.
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 11:11 AM ::
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Segunda-feira, Dezembro 05, 2005
sem título...
a pureza de seu olhar,
o brilho que irradia destes olhos
tão cansados de chorar,
de ver a dor dos olhos meus,
de implorar resolução,
de sentir a vida pulsar,
de ver a lágrima cessar, o som do choro calar,
a dor ser esquecida e a vida surgir,
como num passe de mágicas
diante dos olhos causando surpresa,
trazendo tudo que se foi e acreditava-se perdido,
a vida, a felicidade, o amor, a crença,
calando palavras, fechando as feridas,
causando calor entre nossos peitos,
aquele calor incontestável, sentido de corpo e alma,
em todos os poros, por todas as veias,
na face, no peito, no corpo, na alma inteira.
Na vida que era completa. Que era.
Foi...
Foi bela, foi linda, foi verdadeira,
foi inteiramente pura e desejada,
foi totalmente nossa, nossa vida, nosso amor, nosso destino,
até que você deixou a insegurança entrar.
até que eu deixei a insegurança entrar.
até que deixamos a vida ir sem nós.
E tudo termina com uma dor apenas.
Como uma história sem fim, em que fica-se esperando a conclusão,
onde os fatos são explicados,
onde os atores choram calados
e toda a cena pára diante de um objeto crucial,
que, para nós, não é nada além de um coração:
Antes rubro, quente, latente.
Hoje azul, frio e imóvel
como o inverno que cessa o outono,
que cessa a primavera,
que encerra o verão dos amores,
numa sequência de perdas sem tamanho.
Nos perdemos no verão, ou na primavera,
ou até mesmo no outono?
Em qual estação deixamos nosso amor?
Acredito que esteja lá, no inverno,
pois sinto frio.
Sinto frio sem teu abraço, sinto frio sem teu carinho.
Sinto frio em meu peito que, solitário,
não alcança mais seu coração,
única fonte de calor suficientemente forte
que possa, hoje, quebrar o gelo que lacra meu peito,
que machuca, que perfura, fundo, este peito tão frágil,
que chora.
Chora, mas ainda assim, vive.
Não mais como um amado
mas como um alguém, apenas um alguém
indo contra a maré, avançando o rio
e sonhando, lá adiante, encontrar uma praia
com uma sereia, com uma deusa,
com uma vida nova, uma vida nova
que preencha o vazio, hoje tão grande,
deixado por tí.
:: Sussurado por Adan Pureheart
às 11:43 PM ::
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